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Distribuidores da Coca-Cola no país processam Heineken

Como o processo corre em segredo de Justiça, as duas partes optaram por não comentar o assunto Mas na petição inicial apresentada pelos advogados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola (AFBCC), à qual o Valor teve acesso, os distribuidores acusam a Heineken de se recusar a compartilhar informações essenciais ao negócio, assediar donos de pontos de venda e, também, de descuido no abastecimento de produtos, entre outros pontos

Perguntada sobre quais argumentos jurídicos fundamentaram sua decisão de encerrar o relacionamento comercial com os distribuidores da Coca-Cola, a Heineken destacou - por meio de sua assessoria de imprensa - que o processo em curso corre em segredo de justiça e, portanto, não seria possível comentar nada a respeito no momento "Apenas observamos que a Heineken ainda não apresentou seus argumentos", acrescentou a companhia

Do ponto de vista comercial, a troca de sistema de distribuição é vantajosa no médio e longo prazos, afirma Adalberto Viviani, consultor na área de varejo de alimentos e bebidas "No mercado de bebidas, o que fideliza [o ponto de venda] é a distribuição", disse o especialista "Criar uma estrutura própria de distribuição, gerida pela Heineken, é um patrimônio para a empresa"

Números da empresa de pesquisas Nielsen indicam que a participação da Heineken no mercado brasileiro de cervejas aumentou quase 30% nos últimos cinco anos, passando de quase 7% em janeiro de 2012 para um patamar em torno de 9% em abril deste anoApenas observamos que a Heineken ainda no apresentou seus argumentos, acrescentou a companhia.

Sem um portfólio completo - com bebidas alcoólicas e não alcoólicas - os distribuidores da Coca-Cola temem não apenas a perda de participação mercado, mas também o desmantelamento de sua rede, conforme atesta a petição Atualmente, essa rede de distribuição engloba 20,4 mil veículos (incluindo a frota própria e de terceiros) e cerca de 60 mil funcionários, responsáveis pela entrega de produtos a 988,7 mil pontos de venda espalhados pelo Brasil

Foi justamente para fazer frente à concorrência de Brahma e Antarctica - àquela época duas empresas distintas que já vendiam cerveja e refrigerantes de forma conjunta - que os distribuidores da Coca-Cola criaram em 1983 a marca Kaiser, na verdade uma empresa com CNPJ próprio O contrato vigente remonta a março de 2002, quando a canadense Molson adquiriu a Kaiser Pagou US$ 765 milhões, de olho na vice-liderança do mercado brasileiro de cervejas

O memorando de entendimento assinado em 2002 pela Molson com a Coca-Cola e seus distribuidores tinha vigência de 20 anos, sendo prorrogável por mais 20 Em caso de não renovação, os distribuidores deveriam ser avisados no mínimo três anos antes do prazo final (2022) A Kaiser ficaria com a Molson apenas até 2007, quando os canadenses venderam à mexicana Femsa a última fatia que detinham da marca Desde 2010, quando a Heineken comprou os negócios de cerveja da Femsa, a Kaiser pertence 100% aos holandeses

A compra da Brasil Kirin chegou a ser tema de uma carta formal enviada às distribuidoras em 20 de julho do ano passado Assinada pelo presidente da Heineken no Brasil, a correspondência expunha as vantagens do chamado "Projeto Alaska", como era chamada internamente a compra da Brasil Kirin No texto, os holandeses afirmam que a aquisição "iria fortalecer a posição da Heineken Brasil na faixa superior de mercado", além de adicionar escala ao portfólio de cervejas comuns Apesar dos prognósticos positivos, em 25 de abril - menos de duas semanas antes de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a compra da Brasil Kirin pela Heineken - os holandeses comunicaram sua intenção de pôr fim ao contrato de distribuição

Em 1º de junho, quando foi concluída a transação de compra Brasil Kirin, a Heineken já informava em texto distribuído à imprensa que pretendia "alavancar o sistema de distribuição da Brasil Kirin para comercializar o portfólio da Heineken no futuro"

Procurados, a Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola (AFBCC), a Coca-Cola Indústrias Ltda (CCIL) e os distribuidores disseram que não comentam o caso, que segue em segredo de Justiça